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o boca do inferno

Carregado de mim ando no mundo,
E o grande peso embarga-me as passadas,
Que como ando por vias desusadas,
Faço o peso crescer, e vou-me ao fundo.

O remédio será seguir o imundo
Caminho, onde dos mais vejo as pisadas,
Que as bestas andam juntas mais ornadas,
Do que anda só o engenho mais profundo.

Não é fácil viver entre os insanos,
Erra, quem presumir, que sabe tudo,
Se o atalho não soube dos seus danos.

O prudente varão há de ser mudo,
Que é melhor neste mundo o mar de enganos
Ser louco cos demais, que ser sisudo.

Gregório de matos

http://www.memoriaviva.com.br/gregorio/

já naquele tempo

Gregório de Matos

 

Soneto

 

Neste mundo é mais rico, o que mais rapa: Quem mais limpo se faz, tem mais carepa: Com sua língua ao nobre o vil decepa: O Velhaco maior sempre tem capa.

Mostra o patife da nobreza o mapa: Quem tem mão de agarrar, ligeiro trepa; Quem menos falar pode, mais increpa: Quem dinheiro tiver, pode ser Papa.

A flor baixa se inculca por Tulipa; Bengala hoje na mão, ontem garlopa: Mais isento se mostra, o que mais chupa.

Para a tropa do trapo vazio a tripa, E mais não digo, porque a Musa topa Em apa, epa, ipa, opa, upa.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Greg%C3%B3rio_de_Matos

bocage


Meu ser evaporei na lida insana

Meu ser evaporei na lida insana Do tropel de paixões, que me arrastava.

 Ah! Cego eu cria, ah! mísero eu sonhava Em mim quase imortal a essência humana.

 De que inúmeros sóis a mente ufana Existência falaz me não dourava! Mas eis sucumbe a Natureza escrava Ao mal, que a vida em sua origem dana.

 Prazeres, sócios meus e meus tiranos! Esta alma, que sedenta em si não coube,

 No abismo vos sumio dos desenganos.

Deos, oh Deos!...

 Quando a morte a luz me roube,

 Ganhe num momento o que perderam anos,

Saiba morrer o que viver não soube.

  http://www.jornaldepoesia.jor.br/bocage.html

PESSOA

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Fernando Pessoa

*

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.

FONTE JONAL DAS LETRAS

reflexos

Para parar
e pensar

"Aquele que é inteligente, tem bom controle sobre seus desejos e instintos, fala a verdade, aprecia a paz, pensa antes de agir e segue as regras brahmanicas da boa conduta conduz, desta forma, uma vida útil."

Caraka Samhita - sutrasthana 30.24

 

animais

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pensar

As dádivas feitas com carinho dobram de valor.” (Texto Hindu)

“O carinho é responsável por nove-décimos de qualquer felicidade sólida e durável existente em nossas vidas.” (C. S. Lewis)

“O amor se torna favorável pelo carinho, não pela autoridade.” (Publílio Siro)

“As feridas da alma são curadas com carinho, atenção e paz.”
(Machado de Assis)

“Muito freqüentemente, nós subestimamos o poder do carinho, de um sorriso, uma palavra amável, um ombro amigo, dar ouvidos, um elogio honesto, ou o menor ato de dedicação, pois todos têm o poder de transformar uma vida.”
(Leo Buscaglia)

“Você me faz acreditar que nada exite sem amor, que você veio para mostrar o meu caminho. Você traz uma paixão que eu nunca pude descobrir. Mostrou que um coração não vive sem carinho.” (Autor desconhecido)

http://blogmais.wordpress.com/

REVERSO

Reverso de mim

Na expressão de teu olhar,

A luz contendo o florir dos sonhos.

Extraindo e revelando

O que na conjunção de brilhos,

Penetra em tua alma.

A canção que vem na linguagem de teu olhar,

Flutuando em poemas 

Que sem palavras me abraça e declara seu amor


Na magia da sedução

Feito a fúria de um vulcão.

Quero te fazer nascer,

E te amar sem pudor,

Sentir-te em mim e

Despertar o grito

Abafado no coração

Reaprender a sonhar e conquistar

No verso e reverso de mim

Uma deliciosa mente assanhada

Há! O que a palavra faz festa e alvorada
de jeito calado, na taça um brinde ao fato imaginado

Dora Dimolitsas

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MISTRAL

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DESOLACIÓN

   La bruma espesa, eterna, para que olvide dónde
me ha arrojado la mar en su ola cae salmuera.
La tierra a la que vine no tiene primavera:
tiene su noche larga que cual madre me esconde.

   El viento hace a mi casa su ronda de sollozos
y de alarido, y quiebra, como un cristal, mi grito.
Y en la llanura blanca, de horizonte infinito,
miro morir inmensos ocasos dolorosos.

   ¿A quién podrá llamar la que hasta aquí ha venido
si más lejos que ella sólo fueron los muertos?
¡Tan sólo ellos contemplan un mar callado y yerto
crecer entre sus brazos y los brazos queridos!

   Los barcos cuyas velas blanquean en el puerto
vienen de tierras donde no están los que son míos;
sus hombres de ojos claros no conocen mis ríos
y traen frutos pálidos, sin la luz de mis huertos.

   Y la interrogación que sube a mi garganta
al mirarlos pasar, me desciende, vencida:
hablan extrañas lenguas y no la conmovida
lengua que en tierras de oro mi vieja madre canta.

   Miro bajar la nieve como el polvo en la huesa;
miro crecer la niebla como el agonizante,
y por no enloquecer no cuento los instantes,
porque la noche larga ahora tan sólo empieza.

   Miro el llano extasiado y recojo su duelo,
que vine para ver los paisajes mortales.
La nieve es el semblante que asoma a mis cristales;
¡siempre será su albura bajando de los cielos!

   Siempre ella, silenciosa, como la gran mirada
de Dios sobre mí; siempre su azahar sobre mi casa;
siempre, como el destino que ni mengua ni pasa,
descenderá a cubrirme, terrible y extasiado.

CECÍLIA

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Cecília Meireles



4o. Motivo da rosa

Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.

Rosas verá, só de cinzas franzida,
mortas, intactas pelo teu jardim.

Eu deixo aroma até nos meus espinhos
ao longe, o vento vai falando de mim.

E por perder-me é que vão me lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim.