CUMULUS
O Que pode ser feito, além do que já está sacramentado, sedimentado, petrificado?
o que pode ser feito dos paralisados?
Dos sentimentos parcos, amargos, restritos e contritos em almas vazias e
Desesperadas?
Face do vazio, seu sorriso pálido pende da sua boca torta em eterno esgar sardônico.
Eterna ironia de fitar indolente os que eternos não são...
Paro.
Do que falo?
Não sei o que escrevo nem o que sinto...
Abro as comportas e deixo o rio passar por mim, sair de mim, levar de mim todas as loucuras.
Louco.
Sou, lanço-me ao ar em piruetas contorcidas, giro no ritmo da terra, gargalho do ritmo das estrelas...
Piso na cara dos planetas apago o fogo dos sóis...
Quem sois, tão sós em meio aos sóis vermelhos da cornucópia gigante?
A roda gira, em seu centro outra roda gira, e nesta outra roda que gira, rodas e rodas mergulhadas nos vórtices alheios.produzem
Calor, dispersão, condensação, união e vida...
No universo tudo gira, tudo pulsa, tudo canta, tudo musica é...
Todos os acordes acordam no criar dos dias, todos os dias penduram-se na ilusão do tempo...
Tempo serpente a morder a própria calda, aquilo que é e não é.
Aquilo que nos aprisiona nesta gaiola azul, que nos ilude e engana, mas que pode afinal libertar-nos.
No domínio do tempo está o domínio das portas infinitas do infinito Deus.
E chegará o tempo, em que o tempo não mais será dono das chaves do destino...
escafura willemen
Cabal, cabala.
Cabalmente,
cabalísticamente
Inocente,
Cabalando o cabalado
Colhendo o não semeado
Da coroa até o reino
Sem nunca ter reinado, sem nunca coroa ter usado.
Mas já tendo descortinado o que está
Além
Quem criou o criador?
Quem pariu Deus o criador de todas as coisas
Do nada surgiu Deus que do nada não é.
No entanto falam as velhas línguas, que do nada, nada pode ser criado.
E se Deus é,
É porque foi concebido um dia.
Quem pariu Deus que pariu a todos nós?
Antes de Deus o que era?
O imóvel passa ao movimento por uma força que o motiva
Quem quebrou a inércia e lançou Deus a criar vida, a compor Universos?
Mas, afinal quem?
O infinito completa-se a si mesmo, mas Deus de fato não é Deus Supremo, vislumbramos apenas a ação daquele que é
Fruto da grande mãe...Os deuses não têm pais, são todos frutos da Grande mãe, são arquitetos.
Do princípio feminino que anima todas as coisas, a mãe que gera de si o lado masculino da forma.
O que gerou, gerado é, o que cria, criado é
Circuito fechado emanante.Muitos e todos um só, mas todos vibram no principio mulher de todas as coisas.
E assim será até que venha o grande universo de luz azul, limiar dos novos eons..
No respirar da Mãe seu universo varão conhece a escuridão das noites e o luzir do dias, vida e morte Severina.
Tudo oscila no imenso pendulo da criação
O universo é a mãe que tudo cria...Deus é o seu filho querido
Quem foi além da coroa...Sabe.
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Eu tenho fome de si
Eu tenho fome de ti
Eu tenho uma fome danada...
Fome, fome, fome.
Fome de ter fome
Fome de querer...
Eu tenho fome da carne
Fome do beijo
Fome do gozo
Eu tenho fome de tudo
Uma fome danada
Eu tenho fome da fome
De mil lobisomens
Uivando pra lua encantada
Eu tenho fome do escuro
Tenho fome da luz
Eu tenho fome do nada.
escafura willemen
A observância do ser, a observância do nada.
Vivo e já não sou.Ponto de referência entre camadas...
O que digo perde o nexo, o que faço é reflexo de energias sutis
E entediadas.
Não quero ser compreendido.
O meu ato é ignoto e vasto...
Faço parte do mundo que ainda está por vir.
Saío da gaiola do tempo e entro em outras esferas.
Vi marduk e suas vermelhas manhas.
Astac e seus mil anéis.
Distância não é limitação, limitação é o tempo...
E limitado já não sou,
Quebrei a ampulheta e a areia da eternidade escoa
Suave e inexorável...
O que sou aqui também É lá, onde mora o inconcebível.
Descasco as camadas do universo em busca da resposta...
Busco, busco, busco...
Um buscar inútil, porque a resposta é uma nova pergunta...
O universo é uma selva de pontos de interrogação que se encadeiam
Para formar o que supostamente julgamos realidade...
Arufacse ad eternum
Tags: POESIA PORTA PALAVRAS ARTE DEUS
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